São Paulo – O julgamento de 26 policiais militares acusados pela morte de 15 detentos no Massacre do Carandiru será retomado amanhã (18), a partir das 9h da manhã, informou o juiz José Augusto Nardy Marzagão. O julgamento foi suspenso hoje (17) após um dos sete jurados ter passado mal.

“[Antes do início dos trabalhos hoje] percebi que um jurado não estava se sentindo bem. Diante disso, como já havia ocorrido em outra sessão, por precaução solicitei a equipe médica, que compareceu imediatamente e que recomendou que ele [jurado] fosse até o ambulatório”, disse o juiz aos jornalistas, na entrada do Fórum da Barra Funda, na zona oeste da capital.

Marzagão disse que foi informado pelos médicos que o jurado “teve um mal-estar” – de origem e sintomas não informados – e que precisaria de repouso. Por isso, o juiz decidiu suspender os trabalhos até que o jurado possa voltar a participar do julgamento.

Se o problema fosse mais grave e o jurado tivesse que se ausentar do julgamento, explicou o juiz, todo o trabalho feito até agora teria que ser cancelado e o julgamento teria que ser remarcado para uma nova etapa, com novo sorteio de jurados e a necessidade de repetição dos depoimentos já tomados. “No momento, ele não pode retornar por recomendação médica, mas isso não significa que há gravidade porque, do contrário, o júri seria cancelado como já foi no dia 8 de abril. Neste momento, então, o julgamento encontra-se suspenso por recomendação médica para que ele [jurado] repouse”.

Amanhã cedo (18), antes do início dos trabalhos, o jurado – cujo nome não foi revelado – será novamente avaliado pelos médicos. A previsão do juiz é que, caso os trabalhos sejam retomados amanhã, o julgamento termine nesta sexta-feira (19).

O julgamento do caso do Carandiru deveria ter começado no último dia 8, mas foi suspenso pelo mesmo motivo: uma jurada passou mal. Os trabalhos foram adiados por uma semana e retomados na última segunda-feira (15).

Por causa do grande número de réus, 79 policiais, o julgamento do Massacre do Carandiru foi dividido em etapas. Nesta primeira fase, estão sendo julgados 26 policiais, responsabilizados pelas mortes de 15 detentos no segundo pavimento do Pavilhão 9.

No primeiro dia, cinco testemunhas de acusação foram ouvidas, entre elas, o perito criminal à época do fato, Osvaldo Negrini Neto, que negou a ocorrência de um confronto entre os policiais e os presos, resultando na mortes de 111 detentos. Segundo Negrini, os tiros foram disparados “de fora para dentro das celas”, o que mostra indícios de que só os policiais atiraram. Negrini também disse que a cena do massacre foi violada, pois os corpos dos presos foram removidos das celas e não foram encontradas as cápsulas das balas.

Ontem (16), foram ouvidas as testemunhas de defesa, arroladas pela advogada Ieda Ribeiro de Souza, que defende os 26 policiais. Foram ouvidos os desembargadores Ivo de Almeida, Fernando Antônio Torres Garcia e Luis Antônio San Juan França. Também prestaram depoimento o então governador de São Paulo, Luiz Antonio Fleury Filho; Pedro Franco de Campos, secretário de Segurança Pública à época do episódio; e a juíza Sueli Veraik Armani de Menezes. Também ontem (16) o juiz deu início à leitura das peças, que deve continuar amanhã cedo.

Amanhã (18) também está previsto o depoimento de quatro dos 26 policiais. Os demais não serão ouvidos. Depois desta etapa, seguirá a fase de debates, com as falas da acusação e da defesa. Depois, o Conselho de Sentença, composto pelos sete jurados, irá se reunir para determinar o veredicto – se os policiais serão absolvidos ou condenados.

FONTE: AGÊNCIA BRASIL


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