A Justiça do Rio decretou nesta quinta-feira (27) a prisão temporária de mais dois policiais militares envolvidos na morte de Claudia Silva Ferreira, durante ação da PM no Morro da Congonha. O 1º tenente, Rodrigo Medeiros Boaventura, comandante da guarnição que fez a operação, e o 2º sargento, Zaqueu de Jesus Pereira Bueno, segundo no comando da equipe, tiveram prisão de 30 dias decretada.

PMs soltos Outros três policiais militares, que transportaram Claudia, ferida por um tiro no peito, em um carro da PM, arrastando o corpo dela por 350 metros após o porta-mala abrir, chegaram a ter prisão preventiva decretada, mas foram soltos dias depois. Para a juíza da auditoria da Justiça Militar Ana Paula Barros, que concedeu o alvará de soltura, ainda não há provas de que os subtenentes Adir Serrano Machado e subtenente Rodney Miguel Archanjo, e o sargento Alex Sandro da Silva Alves são culpados. Eles estão trabalhando em funções administrativas na PM.

Laudo inconclusivo

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) sobre o caso de Cláudia ficou pronto nesta quarta-feira (26) e não respondeu se ela morreu na hora em que foi baleada ou no caminho do hospital. Depois de baleada, a auxiliar de serviços gerais foi levada na mala de um carro da Polícia Militar até o hospital. No caminho, a porta da mala abriu e Cláudia foi arrastada, como mostrou o RJTV.

O laudo do IML foi entregue na 29ª DP (Madureira). Os peritos afirmam que o tiro que a atingiu provocou uma lesão grave e que Cláudia morreu em poucos minutos. Mas os peritos não dizem em quantos minutos.

O documento também não diz se a bala que a atingiu foi disparada por um fuzil. No dia da morte, a Policia Militar divulgou uma nota em que afirmava que Cláudia foi encontrada viva pelos PMs. Mas os policiais disseram, em depoimento, que já a encontraram morta. Os investigadores agora pretendem tirar todas essas dúvidas em uma reconstituição do crime a ser feita na próxima quinta-feira (3), no Morro da Congonha, Subúrbio.

Manifestantes realizaram uma marcha no Largo do Machado, na noite desta quarta-feira, para mostrar “repúdio e revolta” contra o fato. A Polícia Civil fará uma reconstituição do caso na quinta-feira (3).

Acharam que era bandida’, diz filha Thaís Lima, filha de Cláudia, disse que os policais que estavam no local acharam que Cláudia tivesse envolvimento com o tráfico de drogas. Ela disse que não acredita na Polícia Militar.

“Foi só virar a esquina e ela deu de frente com eles. Eles [os policiais] deram dois tiros nela, um no peito, que atravessou, e o outro, não sei se foi na cabeça ou no pescoço, que falaram. E caiu no chão. Aí falaram [os policiais] que se assustaram com o copo de café que estava na mão dela. Eles estavam achando que ela era bandida, que ela estava dando café para os bandidos”, contou.

Segundo Thaís, os moradores tentaram impedir que a polícia levasse Cláudia do local. No tumulto, policiais teriam atirado para o alto para afastar as pessoas. Ainda segundo ela, o porta-malas do carro da PM que levou Cláudia abriu uma primeira vez na Rua Buriti, logo após o socorro feito pelos PMs.

“Um pegou ela pela calça e outro pela perna e jogou dentro da Blazer, lá dentro, de qualquer jeito. Ficou toda torta lá dentro. Depois desceram com ela e a mala estava aberta. Ela ainda caiu na Buriti [rua, em Madureira], no meio do caminho, e eles pegaram e botaram ela para dentro de novo. Se eles viram que estava ruim porque eles não endireitaram (sic) e não bateram a porta de novo direito?”, questionou.

Fonte: G1


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